A matéria da 14pg analisa o impacto das apostas esportivas na economia brasileira, destacando o comportamento de risco no mundo digital.
Nos últimos anos, o Brasil tem assistido a uma verdadeira revolução nas apostas esportivas, catalisada pela crescente popularidade das plataformas online. As mudanças nas leis que regulamentam estas atividades impulsionaram um setor que, embora ainda jovem, já apresenta números expressivos. Uma das questões centrais a serem analisadas nesta nova realidade é o comportamento de risco envolvido em jogos online, que pode impactar não apenas os consumidores, mas também a economia como um todo. Com o advento das apostas esportivas, muitos brasileiros se tornaram adeptos de uma cultura que, até pouco tempo atrás, era vista com desconfiança. A possibilidade de apostar em eventos esportivos em tempo real e a disponibilidade de aplicativos que facilitam essas transações, como o Pix, mudaram a dinâmica do jogo. Mas a liberdade trazida pela digitalização traz também uma série de riscos.
Estudos mostram que a exposição constante a essas plataformas pode levar a um aumento significativo na propensão ao jogo compulsivo, o que representa uma preocupação tanto social quanto financeira. Os dados da última pesquisa realizada pela Associação Federal de Apostas Esportivas do Brasil apontam um crescimento de 35% no número de apostadores nos últimos dois anos, sendo a maioria deles entre 18 e 35 anos. Essa faixa etária, frequentemente associada à impulsividade e ao comportamento de risco, torna-se alvo de estratégias de marketing agressivas lançadas por cassinos online. Bônus de boas-vindas, promoções para novos usuários e a facilidade de acessar uma grande variedade de slots e jogos de e-sports são práticas que atraem e podem, paradoxalmente, conduzir os apostadores a um caminho sem volta. Ademais, o fator da segurança digital não pode ser negligenciado. Com a ascensão das apostas online, questões como proteção de dados e fraudes têm se tornado cada vez mais relevantes.
Apostadores precisam estar cientes dos riscos associados ao compartilhamento de informações financeiras e pessoais em plataformas que nem sempre garantem a segurança necessária. O crescimento rápido desse setor no Brasil levanta um dilema: se, por um lado, a regulamentação pode trazer benefícios econômicos, por outro, ela deve necessariamente incluir medidas de proteção para garantir que os apostadores estejam cientes dos riscos e das suas implicações. As autoridades devem agir com prudência, considerando não apenas a arrecadação tributária proveniente das apostas esportivas, mas também o bem-estar dos cidadãos. Programas de conscientização sobre o comportamento de risco e medidas de apoio a aqueles que possam estar desenvolvendo problemas com o jogo são essenciais para mitigar os efeitos negativos desse fenômeno econômico. A experiência de outros países demonstra que a regulamentação focada na proteção do consumidor pode resultar em um setor mais saudável, sustentando o crescimento econômico de forma responsável. Assim, enquanto o jogo online continua a se expandir, um equilíbrio entre exploração do mercado e a proteção do apostador se torna fundamental para assegurar que essa “explosão” reverberasse apenas positivamente na economia brasileira.